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Núcleo Espírita Assistencial Paz e Amor.

Imagem do Informativo impresso.
- ABRIL 2005 -

ÓRFÃOS DO ALÉM
Marcial Ferreira Jardim


No dia-a-dia das nossas existências, vivenciando momentos os mais diversos, nos deparamos, comumente, com seres humanos amargurados, denunciando em seus semblantes a tristeza, inquestionável, que invade as suas almas.

Auscultando, um pouco mais, a intimidade destas criaturas, constatamos que o desencame de um ente querido foi o que desencadeou este estado de amargura e desilusão. Inconformadas, enlaçadas pelo desânimo, estiletadas por aflitiva saudade, abrigam-se na solidão, cristalizando a sua dor. Desacorçoadas, passam a enviar àquele que partira para o outro lado da vida, pensamentos de tristeza e desesperança, afligindo-o com estes sentimentos, abalando seu espírito, retardando os seus passos evolutivos no além. Do lado de lá, com poucas exceções, estes espíritos sentem-se impotentes para atender aos apelos dos seus queridos que na Terra permaneceram e angustiados, vencidos, sofrem intensamente.

Os encarnados, por sua vez, prisioneiros do egoísmo, esquecem-se de que aqueles que já se desvencilharam das vestes carnais, tornaram-se “órfãos no além”, necessitando receber dos seus amados, pensamentos de reconforto e de paz e não lamúrias, angústia e desencantamento. Infelizmente, em grande parte das vezes, são estes “presentes de grego” que Ihes enviamos. É desta forma, injusta, que lhes agradecemos o convívio quando ainda se encontravam encarnados, acompanhando-nos pelas estradas da vida. É assim, equivocadamente, que lhes demonstramos o amor que por eles sentimos. Leitor amigo. Reflita um pouco sobre o que acabamos de lhe expor .

Ao lembrarmo-nos daqueles que nos foram caros e que já realizaram a grande viagem, enviemos-lhes, pelas vias do pensamento, nossos sinceros agradecimentos pelo carinho e pelo amor que nos presentearam. Peçamos-lhes desculpas pelos nossos erros ou injustiças que, com eles, eventualmente, tenhamos cometido. Ofertemos-lhes o nosso perdão, incondicional, pelos dissabores que, em algum momento, talvez, nos tenham causado. Esclareçamos-lhes que o verdadeiro amor nunca morre, simplesmente dorme com a separação, para acordar, depois, ainda mais belo. Estimulemos-lhes a ter a certeza de que o Cristo Jesus de ninguém se esquece, permanecendo sempre ao nosso lado, através da companhia dos amigos espirituais, aguardando que abramos as portas do nosso coração para nele adentrar, juntamente com Sua paz. Assim agindo, nossos queridos "órfãos no além" sentir-se-ão reconfortados, esperançosos, convictos de que seus corpos cansados reclinaram-se sobre a terra, mas, seus espíritos começam a alçar novos vôos, pois a vida continua. ...

Desta forma, todos, de lá e de cá, irão transformando a saudade-tristeza em saudade-compreensão, extirpando, gradativamente, dos seus corações o suplício da dor, enaltecendo a beleza do amor!



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