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Núcleo Espírita Assistencial Paz e Amor.

Imagem da capa do livro Rastros de Luz
Buril da Alma


A vida vai transcorrendo com naturalidade.

Os momentos de alegria e tristeza mesclam-se compondo pacientemente o livro maravilhoso das nossas existências, deixando cicatrizes que, pouco a pouco, vão emoldurando nossas almas.

Nós, seres humanos, evidenciando claramente as nossas fraquezas para com as nuances do espírito, muitas vezes, vemo-nos aceitando passiva e displicentemente a interferência envolvente do mundo instintivo em nossas vidas.

Os dias, meses, anos deslizam céleres, o tempo se esvai, porém, algumas vezes, nos parcos instantes de que dispomos para nós mesmos, para nossas mais profundas meditações, apercebemo-nos de que estamos vivendo e interagindo robotizados, afinizados com os ditames da matéria que sutilmente vão nos transformando em pessoas solitárias e frias, cúmplices fiéis do orgulho, erigindo-o como o césar absoluto das nossas atitudes e decisões.

Estes fugazes momentos, na maioria das vezes, não são suficientes para nos fazer emergir em busca da luz e continuamos como verdadeiros autistas espirituais, admitindo e vivificando os desacertos, como se fossem imaculadas virtudes.

Seduzidos pelo brilho e pelas gloríolas mundanas, deixamo-nos arrastar pelas correntezas enganosas das falsas virtudes que fatalmente nos conduzirão ao lago viscoso e obscurecido das ilusões, onde espíritos viciosos e acomodados se deleitam usufruindo os prazeres efêmeros que nunca lhes trarão a felicidade e, em vão, buscam encontrar.

Triste engano.

Ao pensarmos que estamos a caminho do éden, distanciamo-nos dele, perdendo-o nos horizontes da incompreensão, do orgulho, da vaidade, do desamor. . .

Imaginamo-nos luzir, resplandecer perante o mundo que nos envolve, mas olvidamo-nos ingenuamente de que a verdadeira luz somente poderá emergir do âmago das nossas almas desbravando, pouco a pouco, a floresta densa e negregosa dos nossos desenganos.

Atribuimo-nos valores que somente os olhos nublados pela vaidade podem enxergar e que, de fato, não possuímos, fazendo-nos acreditar naquilo que, na realidade, não somos.

Entretanto, como generosa mãe, a ampulheta do tempo não pára e inexorável e sutilmente somos conduzidos pelas mãos caridosas do Cristo Jesus e, através da desilusão, retroagimos e buscamos o verdadeiro sentido das nossas vivências neste planeta Terra que, tão carinhosamente, nos acolhe.

É, através da dor, repudiada e desprezada por nós, humanos, que nossos corações vão sendo burilados, adquirindo gradativamente a beleza do amor, que se faz reluzir através do magnetismo das nossas presenças.

Nossos olhos, como por encanto, adquirem novo brilho, nosso olhar a mansuetude e a compreensão de que, há muito, não projetamos em direção daqueles que conosco caminham, lado a lado, nesta terra abençoada.

Nossa voz passa a emitir sons maravilhosos que acariciam, balsamizam, fazendo com que nossas palavras sejam envoltas no néctar aveludado da gentileza e da fraternidade.

Nossos ouvidos, outrora impacientes e críticos, aprendem compassivamente a escutar, guardando para si somente os tesouros e a beleza dos sons e vocábulos emitidos por todos aqueles que se dignam nos dirigir a palavra.

Nosso semblante, muitas vezes, rude e agressivo, nosso sorriso de desdém e desconfiança, metamorfoseados pelo buril da dor, passam a exalar simpatia, brandura e amizade, externando o clima interior que perfuma nossa alma.

Nossos braços atrofiados ao longo do corpo, anestesiados pelo torpor do desânimo e do orgulho, abrem-se carinhosamente em forma de cruz redentora do Cristo Jesus, agasalhando todos aqueles que ainda se encontram enregelados pela ausência do amor.

Nossas mãos tensas e frias distendem-se, aquecem-se, fortalecem-se, auxiliando, acarinhando, os corações ávidos de compaixão e caridade.

Nossos passos cambaleantes e indecisos adquirem novas forças e encontram o caminho definitivo, rumando decididamente em direção dos combalidos, amainando suas angústias, levando carinho, otimismo e amor aos seus corações desesperados e premidos pela solidão.

Nossa mente, outrora, ensandecida pelos miasmas que o mundo exala, envolvida pelo pessimismo destrutivo dos que desconhecem a Justiça Divina, através da dor, transforma-se em fonte viva a espargir benesses para toda a humanidade sedenta de reconhecimento e comiseração e, ainda, tão distante de Jesus.

Equilibrados mental e emocionalmente nossos caminhos tornam-se menos ásperos, nossas noites menos escuras, nosso porvir mais esperançoso.

Nossas decisões pautadas no discernimento, bom senso e justiça exaltam as heranças recebidas suave e carinhosamente pela presença do Divino Peregrino do Amor em nossos corações.

A sabedoria, doce e melifluamente penetra e se aloja em nossos espíritos, transformando a pedra bruta que éramos no cristal translúcido e luminescente a emanar raios coloridos de compaixão e amor em todas as direções, buscando esta humanidade tão sofrida e, ainda em grande parte, mumificada e enredada pelo egoísmo contumaz.

Transformamo-nos!

Pouco a pouco, vamos adquirindo uma tênue luz interior que passa a nos iluminar e, também, a todos aqueles que conosco caminharem e, envolvidos no mais puro dos sentimentos, humildemente, agradecidos ao Pai da Vida dizemos-lhe do imo das nossas almas: "Bendita seja a dor!"


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